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LEõES REVESTIDOS EM URSINHOS DE PELúCIA

LEÕES REVESTIDOS EM URSINHOS DE PELÚCIA
Celito Medeiros


A pessoa doce, sorridente, que nunca, nunca se zanga, está em pior estado do que aquela que ocasionalmente entra em fúria. Também se pode afirmar que aquele que aceita tudo, como uma cruz a carregar, está mais perto da morte do que aquele soluçando por um problema qualquer.
As emoções diferenciam as pessoas, estas, se encontram em diversos tons emocionais. Aquele rico e belo astro que toma pílulas para dormir sente a mesma avassaladora desesperança, quanto o velho bêbado inveterado, deitado na sarjeta e abraçado à sua garrafa vazia. Embora em cenários distintos, possuem as emoções assemelhadas.
Pessoas que berram neuróticas diante de um camundongo, crianças em acesso de raiva porque lhe quebraram seu brinquedo, o soldado amedrontado com o campo de batalha, a histeria esposa gritando que seu marido não mais a ama... São as emoções que diferenciam as pessoas!
Encontramos pessoas de sorrisos amarelos. Sufocam suas raivas para mostrarem os dentes em largos sorrisos ao estilo de cachorros mansos... É como aquele vendedor que sorri quanto tem vontade de chutar o traseiro do cliente. Não se sente em condições de confrontar com a verdade.
Vemos constantemente pessoas sofrendo com os tais medos interiores, depressões e dizem que já aprenderam o suficiente da vida.
No entanto, apenas deixam a vida continuar. Dizem ter amadurecido. Não, apenas desistiram de seus sonhos! Perderam.
Agora, em apatia, nem conseguem confrontar suas dores e perdas. Aqui e acolá, fazem até um belo discurso. Amanhã choram nos corredores da vida. Já não conseguem expressar toda a sua tristeza, nem mesmo para gritarem dizendo ainda estarem vivas, apenas ficam apáticas. Este estado é muito próximo ao suicídio. Se cometerem tal ato, ninguém os entenderá. Mas sentia como se todos fossem um bando de elefantes a lhe pisotear.
Um indivíduo em apatia, tomando drogas de um psiquiatra famoso, que logo estará em internado em uma clínica, até poderia dar aulas em uma grande universidade e ser considerado brilhante, mas seria como o artista comparado ao bêbado da sarjeta... A mesma condição, mudam os personagens, permanece o baixo tom emocional. Alguém pode estar em apatia acamado e poderíamos compreender, mas fora deste ambulatório ele será mais enganador. Poderá parecer uma doçura sentimental, exuberante e “feliz” quando está sob “efeitos”, mas em baixa, está vagarosamente indo na direção do fracasso total. Nem se permitem serem ajudados, pois, no começo não enxergam seus problemas e mais tarde estão impossibilitados para tal.
Um poeta em apatia reunirá muitos fãs! Clamam a tragédia, o sofrimento, a solidão, a traição e parecem-se muito com Flor Bela Espanca. Existem tantos e muitos famosos neste gênero. Poucos perceberam o quanto sofriam. Não conseguem uma poesia brilhante sem clamar por dores e perdas.
Embora pessoas freqüentem uma universidade, como aluno ou professor, ou mesmo mantendo um emprego, sendo colunista social ou dirigindo um filme, estão destruindo ou tentando destruir-se. A apatia de muitos é confundida pelos menos avisados, como sendo um estado sereno. Afinal, não reagem facilmente a nada. É a apatia intelectual. Discursos baratos, angústia por status e poder. Tentam justificar-se com discursos eruditos ao copiar algum psicólogo de seu passado que também falava bonito, mas era outro apático. Valia-se de sua profissão para enganar e jamais poderia de fato ajudar alguém. Muitos, de fato, andam por aí grudados em tantas “ologias” mas nunca tiveram ajuda, nem poderiam, afinal estiveram com gurus que se ditaram deuses sem ao menos saberem quem são. Ah, quantos já foram enganados por tanta coisa!
Estes, muitas vezes pregam que tudo está predeterminado, que o ser humano é impotente para mudar o rumo das coisas. Aí, contemplam bolas de cristais, números e estrelas, assim como qualquer outra coisa que lhes possam indicar ‘seus destinos’. Nem conseguem perceber estarem rodeados de enganadores, afinal, em si também o são, de alguma forma. Tornam-se ingênuos em melodramas.
Quando alguém se deixa governar por influências até estranhas a si próprios, estão de fato sentados na apatia. Deste modo aceitam perdas e podem até dizer que isto é a vontade de Deus. Uma pessoa assim, sendo efeito e não causa, considera-se menor do que uma estrela, planeta ou uma pulga de sua perna. Uma pessoa que seja ‘causa’ é capaz de mudar seu ambiente.
Uma apatia coloca a pessoa com baixo poder de propriedade. Mesmo tendo muitas posses, diz que não há porque possuir coisa alguma, que nada levará em seu tumulo. No entanto, normalmente deixa luzes acesas, coisas estragando na geladeira, aparelhos ligados desnecessariamente ou não se importa se a ligação é interurbana ou internacional. Livra-se de muitas coisas que seriam úteis.
Queixam-se de que a vida está intragável. Nem poderá ajudar o amigo que andou fazendo uma ‘viagem’ nas drogas, pois, mesmo sabendo dos efeitos permanentes da desordem mental de longa duração, sente ‘nada poder fazer por mais ninguém’. Sente-se cheio desta vida ingrata. Duvidam até mesmo que o homem tenha ido à lua, afinal, apáticos não conseguem ver como as coisas são, obstruem a realidade por suas fantasiosas insinuações de baixo tom.

Uma pessoa que sempre esteja pedindo desculpas, adulando, procurando manter-se na ‘humildade’ pela servilidade, rastejante até – está tentando expiar algum erro real ou imaginário. Deste modo, num lambe-pés, acha que todos que não sejam humildes, servis, são mal educados ou arrogantes. Não possuem senso de orgulho próprio. Penalizam-se por si e pelas pessoas que não as copiem. Prometem lealdade cega, auto sacrifício, martírios lhe caem bem. Normalmente repetem: Nunca conseguirei recompensar você o suficiente. Irá enganar com lisuras e lisonjeios e até rebaixar-se para conseguir simpatia. Tais pessoas negam ser artistas ou escritores, dizem fazer apenas por hobby, fogem assim da crítica. Gostam muito de elogios, precisam ser amados.
Estão sempre encobertos em falsa humildade e modéstia enrustida. São como cachorrinhos repreendidos, abaixam a cabeça, dão uma volta, lambem sua mão, balançam o rabo e tentam receber ‘perdão’. Está tentando reparar seus erros existentes ou julgados existir. Podem até se prostituir, mas dizem ter sempre um bom motivo. Procurando se afirmar humildes existências, dizem não serem ninguém. É como o lustrador de maçãs que fica deixando a maçã cair na lama. Ficam frenéticos tentando agradar para fazer ‘reparo’ de seus atos falhos do passado. Podem também possuir profundos desapontamentos por já terem sido traídos ou injustiçados no passado.
Uma pessoa bajuladora está lutando para acertar. Isto lhe dá alguma esperança. Bastaria uma real ajuda chegar e estariam prontos para a mudança em suas vidas. Se não encontrar ajuda, irá reclamar do parceiro, achando mais feliz se estiver só, então, parte para a ameaça de separação. Perde emprego, filhos e depois fica queixando-se que perdeu tudo na vida. Aí fica repetindo: Para quê viver? Está protestando, não sabe nem bem por quê. O que fiz de errado? Por quê Deus está me punindo deste jeito?
Nesta tristeza, uma pessoa irá facilmente entrar em constantes prantos. Basta uma palavra mal entendida e virará uma torneira. Se lhe falarem a respeito de coisas tristes, poderá chorar tanto a ponto de aumentar o nível da represa de Itaipu. Precisa chamar atenção e tudo é motivo para chorar. Seria muito ruim se tal pessoa fosse um homem, pois teria que se afirmar no ‘homem não chora’. Então, teria que suprimir toda esta emoção. Tais pessoas não conseguem nem ajudar, nem serem facilmente ajudadas. Estão presas no passado. Este é o preço por ter desejado ‘esquecer o passado’ ao invés de procurar compreende-lo. Nada, absolutamente nada devemos tentar esquecer. Não significa que teremos que colecionar memórias antigas e só ficar contando histórias do passado e mostrando um álbum amarelado de fotografias para todos a todo o tempo. Isto só encobriria a parte que não foi boa.
Tais pessoas se estão solteiras, dirão que foi por opção própria. Ainda escondem de si próprios o ressentimento. Ninguém, absolutamente ninguém adulto estará feliz sem um parceiro de sexo oposto. As más experiências fazem dizer o contrário, mas jamais seria justificado. Não confie em informações dadas por pessoas em tristeza. Ao suplicar piedade e dó, poderão contar as mais fantasiosas histórias para justificarem suas desventuras. Acabam acreditando em suas próprias mentiras, pois acham que elas precisariam existir para que elas assim se sentissem.
Uma vez ouvi: Meu marido me espanca.
- Quantas vezes a espancou?
- Bem, foi uma vez só, mas doeu muito.
- Com o quê ele lhe bateu?
- Com as mãos dele, ora...
- Ele lhe deu um murro ou palmada?
- Foi com a mão aberta, mas doeu muito, sabia?
- Quantas vezes ele lhe bateu?
- Foi uma vez só, mas precisa ver como doeu.
Assim, um tapa vira espaçamento para tais pessoas. Esta pessoa buscava dar razões para seu choro, nada mais. Mas não se pode confiar em pessoas em tristeza, vê?
Se um marido assim morre, a viúva poderá chorar pelo quanto este marido foi impecável. Deste modo, torna a perda maior ainda... Justifica a sua tristeza. O homem diz ter vivido com uma ‘santa mulher’, fica choramingando, tentando livrar-se da culpa de tantas vezes tê-la traído. Pois se viva, estaria tentando lhe cobrir de presentes baratos. Perguntará diversas vezes se o parceiro ainda o (a) ama. Se perceber qualquer descortesia, mergulha em profunda tristeza, ‘querendo morrer’... Será um parasita. Tentará ganhar compaixão de todo mundo e inventará outros maus tratos e lamúrias.
Uma pessoa assim como amigo (a) é um peso a ser arrastado. São capazes de serem admiradas, mas procurarão atenção na forma de piedade. Clamam-se de tudo e de todos e tratam mal a si próprios. Tentam apoiar-se totalmente em quem estiver ‘disponível’. Embora sempre tentando aparentar humildade, acham que todo mundo lhes deve atenção ou subsistência. Querem que empreguemos o tempo em consola-los. A tristeza parece culpa-los de tudo, mas na verdade procura a quem colocar a culpa.
Se tais pessoas dissessem francamente: Fui pego (a) roubando ou traindo etc... Por certo iria se sentir muito melhor e resolveria bem rápido. Se dissesse que embora não tenha ido para a cama com tal sujeito (a), derramou-se de olhares por cima da pessoa. Mas insiste em dizer que nunca traiu. Não tem coragem de colocar isto como traição, mas fica se culpando de igual modo. Então acusará tantas pessoas quando puder, de terem errado. Dirá constantemente que sempre procurou fazer o bem! - Onde foi que eu errei?
Pessoas em tom baixo ficam só falando em acidentes, doenças e mortes. Não conseguem falar por muito tempo sobre banalidades que seja. Nunca originam assuntos agradáveis. São tipos certos jornais que só dão destaque à notícias desta linha. Pensam que notícia boa não dá Ibope.
Reclamam da empresa onde trabalham, mas não possuem coragem de largar o emprego e procurar algo que lhes pareça melhor. Uma solução simples nem sempre é a lógica para pessoas em tristeza. Poderiam perceber e mudar.
Tais pessoas podem se oferecer para lhes fazer tudo. Querem sempre estar haver. Cuidam das crianças, vão fazer as compras e não permitem que você ao menos empate ao fazer algo por elas. Mantém você próximo de suas lamúrias e para isto precisam atrair. Elas precisam de pessoas em dívida com elas. Isto é terrível. Desejam dar sempre mais do que poderiam receber. Não percebem que uma troca só é interessante quando equilibrada. Doar demais é tão desgastante quanto receber demais. Assim, quanto mais se dá para alguém, mais a tornamos infeliz! São jovens que recebem tudo que podem entrar em apatia e aceitarem o jogo das drogas. A sociedade deveria perceber isto. Se os pais mantiverem seus filhos ocupados, lhes sendo úteis no trabalho de ajuda, por certo o jogo será bem diferente. Se você montar uma loja ou um negócio para seu filho, e ainda ficar peruando à sua volta, mais cedo ou mais tarde ele lhe dirá na cara que “não pediu nada”. Estará triste em apatia. Bondade fora de lugar só complica.
No entanto, se o filho for alguém cheio de vida e alegre, não aceitará tais ofertas. O pai até o poderá chamar de ingrato, dizendo ter feito tudo pelo filho. Este é o erro. Cada um precisa fazer a sua parte nesta vida. É uma questão de dignidade e autovalor.
Muitas vezes uma pessoa triste irá querer fazer algo por alguém, simplesmente por manter alguém em sua dependência. É uma armadilha.

Hostilidade encoberta é outra de Leão por ursinho... Uma pessoa sempre gentil lhe dá tapinhas nas costas, é cordial, mas pode já ter sido condenado como estelionatário. Parece excelente poeta, mas é um copiador descarado. São normalmente incapazes de dizer que odeiam algo ou alguém. De fato, só alisam os outros procurando angariar simpatia para depois, sempre, dar o golpe. Adoram destruir a sua reputação às escondidas ou pelas costas. Elogia sempre, mas não consegue ouvir sobre o sucesso de alguém e se puder até perderá algum tempo tentando derrubar que ele vê ‘por cima’. Dá risadas estremecidas se alguém cometer um engano. Empenha sua palavra de honra quando nem se esperava que o fizesse. Se for pego em alguma mentira, será irônico em dizer que estava brincando ou blefando. São espiões naturais. Precisam saber de tudo e de todos. Parecem possuir todos os segredos. Fazem-se mesmo de sabichões. Possuem muitos segredos dos outros, mas seus próprios jamais revelaria. Insinua saber de tantas coisas e deixa a todos em mistérios. Por certo indicará algum guru ou cartomante para você. Irá dizer que Reich ou a meditação é a solução para tudo. Adora ocultismo e fatos ‘não revelados’.
Se ao contar algo em confidência, você apenas disser: ah é mesmo? Tal pessoa ficará se coçando toda. Estará sempre prometendo tudo e não cumprindo com nada. Quer sempre causar boa impressão. Sempre faz a primeira pergunta em uma palestra ou seminário. Quer meramente tentar mostrar brilhantismo. Se o palestrante for bom, reconhecerá de imediato e poderá lhe colocar em maus lençóis, pois tais pessoas querem se agarrar às pessoas de sucesso, mas para tentar derruba-las. Normalmente tais pessoas se dão bem sendo críticos de arte ou literatura. Nunca podem fazer, mas adoram criticar. Estudou pintura por um mês, abandona e agora diz que só pinta por hobby, não tem grandes pretensões!... Estes dão risadinhas ao passarem adiante algo de teor pornográfico. Afinal, é algo relacionado ao que não conseguem ter prazer nem proporcionar. Por certo acharão Nelson Rodrigues ou Dalton Trevisan os dignos de prêmio Nobel. Dão muitas risadinhas no sentido de humilhar as pessoas boas. Aqui está cheio de promiscuidade e perversão, sadismo e toda a espécie irregular de ação sexual. Não conseguem prazer duradouro e partem para as tais novas experiências. Dirá que vale tudo entre quatro paredes e nunca dizem o que o “tudo” poderia significar.
Nunca deixe de dizer a verdade por medo de que falem mal de você, afinal, tais tipos sempre irão falar mal pelas costas. Irá fazer mesmo sem motivo. É como dar sustos em crianças, eles adoram isto. – Vou te pegar!...
Quando jornalistas, muitas vezes mentem e dizem que precisam proteger o informante. Se revelam algo que não deveriam, dizem que o publico merece saber a verdade. Precisam fabricar notícia de qualquer modo. Nunca reais. Onde poderia ser um fato, sempre estará fantasiado ao seu modo. São os tipos que acham que alguém incomodado é que deve se retirar... Compreendem?
Muitos gostam de, para estarem certos, tornarem os outros errados!
Usualmente não conseguem ouvir e cortam a conversa dos outros. Só ouvirá alguém se puder tornar a pessoa seu aliado. É como aquela criança que deixa alguém brincar com seus brinquedos. Já aquele outro não deixa de jeito nenhum, prefere quebrar tudo ao invés de partilhar.
São clamorosamente infiéis. São trapaceiros. Se ficarem atentos, irão perceber. Portam-se deste modo em todas as áreas. No casamento também.
Na Internet nem se fala!...
 
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